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Arvoredo no Valor Econômico

enC,”Estamos muito orgulhosos desse lançamento, fazer um produto dessa qualidade e tão inovador para o Brasil nos mostra que estamos no caminho certo” (Nicolaos Theodorakis, CEO da Noah)

Matéria na integra:

Construtech Noah vai lançar edifício residencial de madeira engenheirada; país terá fábrica neste ano

São Paulo terá prédio feito de madeira

Por Ana Luiza Tieghi 07/10/2022 

Perspectiva Ilustrada da Sala

A startup de construção civil Noah lança no próximo mês o primeiro prédio residencial (Arvoredo) feito no Brasil com madeira engenheirada, técnica que torna o material tão resistente quando uma estrutura de concreto e aço.

Sobre o Arvoredo

O empreendimento de alto padrão Arvoredo, de quatro andares e seis apartamentos, com tamanho médio de 400 metros quadrados, vai ficar na Vila Madalena, bairro da Zona Oeste de São Paulo.

Como conta Nico Theodorakis, presidente da Noah, é possível fazer prédios maiores, de 25 andares, mas a empresa quer começar com um projeto baixo para acostumar os consumidores à edificação em madeira.

Construções feitas com madeira engenheirada são industrializadas. A maior parte do trabalho é realizado fora do canteiro, que serve para a montagem de peças pré-fabricadas. As placas, vigas e paredes usadas nesse tipo de projeto são feitas com várias camadas de madeira, coladas, o que garante a rigidez necessária. A espécie de árvore utilizada é pinus, proveniente de florestas plantadas.

Disponibilidade de madeira engenheirada no BR

Até o fim do ano o país terá uma fábrica que vai produzir madeira engenheirada em larga escala, da Urbem, braço da Amata. A unidade, em Almirante Tamandaré (PR), na região de Curitiba, está em fase final de comissionamento e aguarda licença de operação para começar a funcionar, explica a presidente do negócio, Ana Bastos.

Noah e Urbem receberam no ano passado investimento do fundo de corporate venture capital da Dexco.

Apesar de compartilhar a matéria-prima com as indústrias de papel e celulose e de mobiliário, Bastos analisa que não devem faltar florestas para a produção de madeira engenheirada. “Espero que, no futuro, ela seja motor de desenvolvimento de novas florestas, porque temos potencial enorme de área e de sol”, afirma.

Segundo a executiva, cerca de 20% das florestas plantadas no país hoje são de pinus, sendo o restante de eucalipto. Dario Guarita Neto, presidente do conselho da Urbem, afirma que, em breve, essa espécie vegetal também poderá ser utilizada na produção de madeira engenheirada, o que vai ampliar a quantidade de matéria-prima disponível ao setor da construção. Árvores de florestas nativas brasileiras não são utilizadas.

Cenário brasileiro

Há pelo menos dez anos existem empresas no país que trabalham com o material, mas em escala pequena. Nesse sentido, a expectativa dos executivos da Urbem é ajudar a criar um ecossistema da madeira engenheirada.

Outra técnica de construção em madeira, o wood frame, pode ser utilizado em conjunto com a madeira engenheirada nos projetos. Entretanto, hoje usam o material para fazer casas, principalmente do segmento econômico, e prédios de até quatro andares. Ademais, suas características, não permitem construções muito maiores do que isso. “Esperamos ter aqui um modelo complementar, no qual a estrutura, as lajes e os pilares sejam de madeira engenheirada e a fachada e fechamentos do edifício possam ser de wood frame”, diz Gomes.

Por causa da industrialização, a obra com madeira engenheirada gera menos resíduo e barulho no canteiro e também é mais rápida — a Noah quer iniciar sua obra em abril e entregá-la até o fim do ano. Outrossim, outro apelo do método construtivo é a sustentabilidade, já que a madeira é renovável e sequestra carbono em seu crescimento.

Para Theodorakis, há ainda uma dimensão de bem-estar associada ao material. “Queremos trazer uma experiência diferente ao usuário”, afirma.

Além disso, a Noah tem o desafio de traduzir essa sensação com o projeto ainda na planta, mas, segundo o presidente, não há desconfiança dos compradores sobre a madeira.

O valor geral de venda (VGV) do Arvoredo é de cerca de R$ 40 milhões. A Noah tem financiamento do banco ABC Brasil para a obra.

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